Herança lusa

Além da língua, herança lusa “obrigatória” aos brasileiros, tenho uma mais próxima já que meus avós maternos eram portugueses da Madeira. Para os futebolistas de plantão, lá também é a “terrinha” do Cristiano Ronaldo (se somos aparentados não tenho a mínima idéia).

Mas a história aqui não é sobre futebol (que até vejo mas não sou grande torcedor), mas sim sobre minha herança culinária, vinda de minha avó.

Quando pensamos em comida portuguesa, de que lembramos? Do bacalhau e da padaria do “seu” Manuel! Hoje vou falar mais de meu gosto “padeiro”, embora também goste dos peixes e azeites (outra coisa que lembramos dos portugueses).

Quando comecei com os pães? Não me lembro, pois iniciei-me no ofício ao ajudar a minha mãe a sovar a massa, talvez aos 10 anos ou menos. Provavelmente nessa época eu fizesse isso mais de brincadeira, sem grande técnica. Com o tempo e experiência eu passei a ser o “amassador” oficial de casa, pois parte da arte de sovar é ter força no braço, o que não demorou muito para eu ser melhor que minha (literalmente) pequena mãe.

hotdog
Pãozinho para cachorro quente.

Mas não basta ter força, mas também “tato” para sentir o ponto da massa. Se está seca (o que depende da qualidade das farinhas usadas) ou úmida (por colocar água, leite, óleo ou ovos demais) devemos balancear os ingredientes para ajudar esse ponto. Quando vejo em receitas medidas exatas de farinhas ou líquidos muito provavelmente quem escreveu não sabe que fazer pães não é assim tão fácil ou matemático (mas claro que são boas referências).

Embora eu não tenha presenciado e aprendido diretamente com minha avó a arte da panificação (e “bolificação”, outra especialidade sua) minha herança lusa veio também pelas suas receitas guardadas pela família. Muitas delas tive que “restaurar” datilografando (sim, faz tempo!) em uma Olivetti.

docecanela
Pão de forma doce com canela.

Pão branco, pão integral, pão de milho, pão sírio, pão doce, pão com sementes… tudo na palma da minha mão (ou às vezes da batedeira planetária).

E então vieram os japoneses… japoneses? Mas não estava falando de Portugal? Sim… no Ja-pão (sem trocadilho) foram feitas as primeiras máquinas de pão. E um dia apareceu uma oferta irrecusável no supermercado… fomos experimentar então esse “robô padeiro”.

São máquinas bastante práticas para quem não tem paciência (ou tempo) para seguir todo o processo de fazer um pão, como sovar, aguardar o crescimento da massa e assar a mesma. Basta juntar os ingredientes, ligar e escolher um dos programas definidos na máquina… em pouco tempo o cheirinho de pão novo invade sua casa, pedindo para ser cortado e passado com manteiga

Além disso pode-se deixar a máquina “dormir” com os ingredientes e preparar o pão pela madrugada, fazendo o café da manhã com um pão novinho, quentinho, cheiroso…

Mas nem tudo são flores (ou pode ser, como esse): se a produção de pão é pequena a máquina aguenta, mas se for grande em pouco tempo ela sofre desgaste e não consegue mais bater a massa. E a solução é trocar o batedor ou toda a máquina…

Hoje não uso mais máquina de pão: não encontrei nova oferta no supermercado (ou lojas online), mas principalmente porque  atualmente faço mais pão através de fermentação natural, o que dificulta muito o uso desses aparelhos. Mas essa história de crescer o pão sem comprar fermento fica para outro dia…

fermento
“Semente” de fermento natural.
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